MAUS TRATOS AOS ANIMAIS


MAUS TRATOS AOS ANIMAIS-qualquer cidadão pode fazer a denuncia: CRMV- Unidade Regional do Sul de Minas Gerais. Delegado Dr. Marden. 35/ 3221-5673. Horário: 8 ao meio dia, 13 até 17 h. E-mail: crmvmg.suldeminas@crmvmg.gov.br

terça-feira, 25 de setembro de 2012

†††Vela Acesa

Vela Acesa

Da soleira da porta avisto
A chama alta, farta e esplendorosa
Da vela num pires de porcelana.
Aspiro o odor cálido que emana
E vejo reacender belas lembranças...

...Crianças cantam em volta da mesa:
“Parabéns pra você...”e eu tento
Apagar a chama que logo ressurge,
Na impaciência, pois meu tempo urge,
Escondo a vela num pote de grude...

... Noite estrelada vai criando um “clima”.
A mesa na penumbra e o garçom, discreto,
Acende a vela e teu olhar inflama.
Como despedida da vida mundana,
Toma minhas mãos e diz que me ama.

Da soleira da porta avisto
A chama alta, farta e angustiante...
Uma lágrima de cera, no pires, desce;
Um odor fúnebre emana, entristece
E feias lembranças reaparecem...

...Quando chorei por meu irmão amado;
...Quando roguei para que Deus me acordasse
Do “pesadelo”que levou meu amigo,
Meu herói, meu cais, meu pai, meu abrigo...
E a vela lá, queimando comigo...

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

†††Subscrevo Poesia†††Sinônimo de mulher

Subscrevo Poesia

Eu sou o mar,
O espelho das estrelas
Refletindo um céu azul num verde mar.

Eu sou o ar,
O respiro do universo,
Mero reflexo, tão diverso desse ar.

Sou melodia,
O encanto das sereias
E na areia enfeitiço noite e dia.

Nasci e fui criado
De versos brancos ou metrificados,
Tão discreto e violento, vou calado.


No abstrato, sou humano
Como retrato instantâneo,
Fora do contemporâneo, sou insano.


Eu sou amor,
Já fui paixão, ódio, furor,
Por vezes, ilusão e dor.


Sou amizade,
Fiel no amor e na necessidade,
Num futuro próximo, talvez, saudade.


Sou ventania,
Um marginal, um servo, um guia,
Brisa leve ou vendaval...

E subscrevo
Poesia.

 

Sinônimo de mulher

Com a luz do meio dia
Sob os raios do pai sol
Com graça, nasce “Maria”
E nasce pra ser melhor

Cresce meio as bonecas
Regras que a vida trouxe
O espelho, fitas, mechas
Como se, feia ela fosse!

Profissão é só um hoby
Vocação é pelo lar
Diz o pai – Isso não pode!
Diz a mãe – Deixa sonhar!

Cumpre-se a profecia
Eis que surge o pretendente
Pra casar nossa Maria
E “felizes para sempre”.

Por amor, enterra os sonhos.
Por amor, não tem vontades.
Por amor; “Amor medonho”,
Abandona a identidade.

No início da semana
Com os raios do pai sol
Radiante, nasce “Ana”
E nasce pra ser melhor!

No início da semana
Com os raios do Pai Sol
Radiante, nasce “Ana”
E nasce pra ser melhor

Cresce meio a novidades
Metas que a vida trouxe
Almejando a igualdade
Sem perder o jeito doce.

Profissão ainda é sonho
Vocação é por mudar
Diz o pai – Isso é medonho!
Diz a mãe – Deixa tentar!

Cumpre-se o programado
Eis que ganha o diploma
O caminho planejado
Pra trilhar a nossa Ana

Finalmente se apaixona
E divide a sua estrada
Trabalhando na semana
E depois, também em casa.

Com o frio da madrugada
Sob o brilho da Mãe Lua
Prematura nasce Magda
Apressada ali na rua.

Com o frio da madrugada
Sob o brilho da Mãe Lua
Prematura nasce Magda
Apressada, ali na rua.

Cresce meio a um turbilhão
Regras da vida moderna
Internet, diversão...
Um futuro todo “dela”

Profissão já é herança
Vocação está no sangue
Diz o pai – Ela é criança!
Diz a mãe – Ela vai longe!

Novamente a madrugada
Eis que surge o pretendente
Pra casar a nossa Magda
E “felizes para sempre”

Para sempre, enquanto dure
Para sempre, enquanto “dois”
Todo mal, se houver, se cure
Na esperança do “depois”.

Com a chegada do milênio
Sob os raios do ultra-som
A surpresa: “são trigêmeas”!
Pra melhor, sei que virão!

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

†††Rosas Mortas (Uma rosa vermelha, por favor)

Rosas mortas (uma rosa vermelha, por favor)

Aprendi a ver as rosas de uma maneira,
Que os meros mortais desconhecem,
Não via as mortes, nem os amores,
Mas antes a vida,os dissabores,
Que dali surgissem.

Aprendi a olhar as rosas,
Sentindo o perfume,
Despindo espinhos,
Redesenhando as cores.
Ofertei-as a ti sem tirar do chão...
Eu via as rosas com o coração.

A vida veio, dias cheios, nuvens cinzentas...
Não pude regá-las e num segundo,
Morreram todas...

Agora me dão uma segunda chance
De apreender com as rosas,
O gosto, o sabor, os instantes...

E antes que o dia venha assumir sua postura mórbida,
Te peço, dê-me uma rosa vermelha,
Para que vestida de vida, olhar as rosas,
Eu possa...

terça-feira, 18 de setembro de 2012

†††Fôlego

Folhas ao vento...

As flores estão ali,
Murchas, sem vida...
Mas estão ali,
Documentando uma história,
Uma passagem que se fechou,
Obstruída por teu medo,
Teu silêncio...
Ah...o silêncio!
Corta mais, dói mais,machuca...
E nem se ouve.
Como um gás num recinto fechado,
Matando aos poucos...
As flores estão ali,
Misturadas aos meus restos
E ainda encontram forças para chorar...

 

 

Fôlego

Deixa o ar entrar pela janela,
Meu eu tem sêde do teu,
Uma rosa no travesseiro,
Beije meus olhos, ligeiro,
Deixe teu cheiro
Na lembrança de um agrado,
E depois volte,
No intervalo de uma apnéia
Ou no fôlego de um gozo.

É o único tempo que te concedo longe de mim...

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

†††Noite

Noite


Uma gota de sangue por favor
Um Vampiro, um Amor
Crave seus dentes em mim
Mas crave!
Não me deixe assim
Não sabe como doi!
Uma passagem mediocre pela vida
Uma trégua só para respirar
Quero morrer, se morrer
Me trouxer vida!
Quero amar!

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

†††Larilarando...A Canção da Louca Renascentista

A Canção da Louca Renascentista.
.
.
Dorme aqui dorme...
 É bom sentir

É bom sentar 
O espelho vai falar.
.
Mole aqui mole
Emagrecida
Ema, Gre e Cida
Sofri, ferida
.
Joga a poeira
Na cama deita
Agnus Dei,
Na cama dei, tá?!
.
Dorme aqui dorme
No travesseiro a cor

Na trave cheiro e cor
.
Mole, que mole
Vem me fazer amor,

Vem me faz, ah mor!
.
Lá no telhado
Tem gato olhando
Gato miando
Gato me vendo...
.
Ele miando
Um miadinho
E eu chorando
E eu choro e ando
.
Mole, que mole
Fujo do sonho
Vou acordando
Vou à cor  dando
.
Lá no telhado
Gato malhado

Gato malha a dor
Do pau no gato
.
Vai dar unhada
Vai dar unha, ah dá!
.
Dorme, aqui, dorme
Bem molezinho
O sol chegando
O sol Che Guevando

.
Dorme aqui dorme
Lá...ri...lá...rá...
.
No sol da cama
Mole, arranha
Mole, aranha
Mó levantar...

 

 

 

 

Louca de fama - Ato II


39
tempo de inovação
ares de napoleão
de saias
navalhas
tomara-que-caia

82
tempo de luta
salvadora das putas
com asas impuras
gestos. lisura
religiosa...

24
anos de culpa
cadafalso, insensatez
altaneira, majestosa
luzitando o horizonte
das loucas dos montes...
lucidez

de dezembro a março
fez seu nome, seus passos
e nenhuma oportunista
em comparação com sua vista
po
so
pretensiosa
quer lhe roubar as glórias...

que pecado....
que ousadia...
louca de fama que um dia
quis desenhar sua história
na lama, na glória
da rainha louca, criança
esperança, renascentista e futurista de Bragança.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

†††Pele

Pele

Amor
Acordei com gosto de sexo,
Resto de nossos instantes,
Nossa loucura insana
Em noite chuvosa,
Nebulosa,
Apaixonante...

Veio
Um medo de ser pesadelo
E perdida num total desvelo,
Não te vi mais ao meu lado,
Um mediocre casal apaixonado,
Enfartado,
Atordoado,
De tanto amar...

Meu amor
Quero, antes que o dia me tome,
Dizer de tudo, pronuciar teu nome
E viver mais e mais, do teu lado,
Pra me sentir viva, sentir amada
E alucinada,
Alimentada,
Dormir de novo... 

Pernas, bocas, umbigo...

o amor carece de paixão
para vencer a dor
as incertezas
a solidão...

porque amor por si só
é de amigo
amor do bom, da paz
querido...

amor de pele é perigo
amor de frio
amor de fogo
pernas, bocas, umbigo...




Prematuro


Não planejei
Mudar de ares
Ou dimensão
Asfixia sem dor
Paralisia, torpor
Matar o dia
E a noite
E os anos
Os planos
O amor




Poeta

Ser poeta
É enxergar um corpo fétido
E ver rosas que ninguem vê.
Ver escorrer o sangue da fronte
E lamber o lábio de prazer.
Ser poeta
É sentir falta da criatura,
Um rosto desfigurado de candura
Que só os poetas sabem ver.
Ser poeta
É sentar aqui no quarto,
Gostar do breu, do tom ruim.
Ser poeta
É sonhar com os lábios teus
E cobiçar tudo de seu para mim.
Ser poeta
É tentar fazer verso
Quando só se vê cadáveres,
Quando só se vive por viver.
Ser poeta é gostar de você
A ponto de escrever algo assim.
Ser poeta
Até que não é tão ruim...



Parada cardíaca as 21:55h

De cara com o Diabo:
És tu tinhoso?
Feio e decomposto,
Um nojo que dá gosto,
Nesse portal medonho
De fogo e prazer.
Não sinto medo,
Sinto desprezo
E vontade de viver.
Vou dar risada,
Cuspir na cara,
Roubar teu xifre,
Fazer xixi, seu ôgro...
Olhar de lodo,
Larga meu corpo.
Dou a cara pra bater,
Vai olhar ou vai comer?
Rápido que a fila anda,
É pegar ou largar,
Seu tonto pândega,
Vá se foder!

Reanimada em 21:57h.

Podre

Será preciso morrer
para contar os vermes?
Um a um, todos ali,
impermeabilizando
os cacos do corte
e o único som
é do pulsar do tétano;
e a única dor
já se foi... 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

††† Todas as andorinhas andam nuas



Todas as andorinhas andam nuas...


Me visto de sangue

Ando sozinho...
Todas as andorinhas andam nuas
Todo horizonte é como a lua
Intocável

Me visto de ódio

Vou perseguindo
Velhos inimigos invisíveis
Belas lutas sempre invencíveis
Falta coragem

Me visto de Trevas


Trago o rosto marcado
Dos meus dissabores, de tudo
E todas as dores do mundo
Trago nas mãos
Na solidão
No viver

Me visto de choro


Ando sozinho
Sou como a lua
E as andorinhas
   Só andam nuas...

Me visto de amor...

domingo, 9 de setembro de 2012

††† Uma duzia de rosas vermelhas querida!

Uma dúzia de rosas vermelhas querida!

Numa lápide do cemitério,
Deixaram envoltas em fitas,
Uma duzia de rosas vermelhas.
A foto era amarela e antiga,
Inscrição apagada,descolorida.
Provavelmente uma namorada,
Um amor que se foi...

Eu nunca ganhei rosas vermelhas.
Como invejei aquela morta,
Que mesmo estando deteriorando,
Se fazia desejada, amada, lembrada
E eu aqui mofando...em vida!
Uma alma fúnebre que respira
E nunca ganhou rosas...

Peguei as fitas e joguei,
Uma a uma, no túmulo ao lado.
Cada botão de rosa que eu tocava,
Morria, murchava, condenado
A ser um morto-vivo despeitado,
Como meu coração ali se mostrava,
Um mero órgão desapaixonado...

E a foto da inscrição apagada,
Verteu duas lágrimas caladas,
Longe da percepeção humanamente sentida.
Chorou por ter em morte gesto tão pleno de vida:
__Uma duzia de rosas vermelhas querida!
E nem percebeu que haviam lhe roubado,
Nem as flores, nem as fitas...

Disso aprendi que o que vale
Não são as rosas que por ventura receba,
Mas o amor que por certo distribua,
Que faça, mesmo em morte, ser lembrada,
Mesmo depois de deteriorada,
Continuar a ser desejada e querida.
Isso é só para os que foram plenos em vida! 

sábado, 8 de setembro de 2012

††† Dissimulada



Dissimulada

Sou lenta.
Aprecio melhor assim
O odor das rosas,
Dos amores, de ti...

Lenta de sexo
Pois me convém,
Lentamente abusar
Do que é meu...

Vou lenta
Por teus pensamentos.
Roubo teus momentos
Que já não são teus...

Violenta e violada,
Sou tua amante e namorada
E vou lentamente em ti,
Para que, lento, me perceba...

Lenta e sorrateira te aprisiono
E tu sorri, servo e feliz,
Apaixonado e senhor
De minha devassidão...

Dissimulada, amada, safada, idolatrada...
Mas, dona do seu coração.





Dai-nos

A noite corria pela janela
E os anos pelos meus dedos
Enquanto milhares
Oravam à Ave Maria
Eu me prostituia
Com a cara e coragem...
E amontoava o pão de cada dia
Profana sacanagem.
Que bobagem!







Da série Reprodução-Ato I - O milagre da vida...

.
dezesseis copos
roupas no chão, mãos e mãos...
a dor de um cabaço,
uma transa, dois corpos no chão
um, que no iníco eram dois
e a ressaca no dia seguinte...
.
A dor de cabeça, nove meses depois...





Da série "Agua mole..."- Ato I - recaída

Dos dias anteriores
Quando sentia seu medo
Asfixiando as entranhas...
E me pedia
"Poemas ejaculados..."
Coitado!
Todo cuidado é pouco
Todo sentido é louco
Balbuciando recaídas
Sobrevidas
Fingindo não me querer...
Como se isso fosse possível
Sorrir e não me ver
Como se o dia fosse embora
Abrindo a porta
De uma noite que chora
Por não me ter...
Ah...meu querido jovem
A cor da sua libido
É gris em tom de amigo
Do arco irís banido
Sem pote de ouro na tez
Não negues o seu desejo
Não digas "não ao meu beijo...
Ou morrerás sozinho
Triste no caminho
Onde não me viu nascer...






Desalmada

No ar um cheiro de tinta
Como se fossem recém pintadas,
As paredes do quarto,
Me vestindo só de lençóis.
Na veste um rastro de sangue
Como se tivesse sido violentada,
Mas o semblante sereno flagra
Um misto prazer, um gozo gritante.
Brigo com meus olhos traiçoeiros
Que teimam em dormir sem te ver partir.
Arranco-os fora pra que os leve embora,
Não preciso de olhos pra sorrir.
Pra mim basta teu cheiro,
Tua fome de mim e uma certeza,
Que mesmo longe, distante esteja,
Faz tão próximos nossos instantes
Que sigo assim desalmada...
Por todos, muitos, desejada
E só por ti possuida.
Sigo com um gosto na vida:
Se morro um dia ou breve, morta esteja
Serei feliz na partida
Pois tive por ti segundos de insanidade
Que me levaram ao êxtase e a eternidade... 


EPTV SUL DE MINAS