MAUS TRATOS AOS ANIMAIS


MAUS TRATOS AOS ANIMAIS-qualquer cidadão pode fazer a denuncia: CRMV- Unidade Regional do Sul de Minas Gerais. Delegado Dr. Marden. 35/ 3221-5673. Horário: 8 ao meio dia, 13 até 17 h. E-mail: crmvmg.suldeminas@crmvmg.gov.br

2003 - 7º PREMIO MISSÕES

Menção Honrosa Nacional no 7º Prêmio Missões com a poesia CORUJAS E VENTO FORTE (AMO) e  2º Lugar Nacional com o conto JOÃO DA CAPA - IGAÇABA PRODUÇÕES CULTURAIS - Roque Gonzales RS - 2003


POESIA

CORUJAS E VENTO FORTE (AMO)





Amo

Nas folhas o tom do orvalho...

No outono a suave brisa...

Nos Campos, o Vento Forte,

A vida...



Amo

Na chuva o cheiro de terra...

Pássaros num mento verde.

Saciando, junto ao rio,

A sede...



Amo

Na noite, o luar sereno.

Sussurrando às estrelas.

A ansiedade do mar

Em vê-las...



Amo

Pois, de amor me visto.

Para, sob teu olhar, ficar nua...

Na tua pele, o toque...

Ser sua...



MP/Me Morte










CONTO


JOÃO DA CAPA 




 
No Ano de 1953, no norte de Minas Gerais, em meados de Novembro, numa pacata cidadezinha chamada Porteirinha, aconteceu um fato curioso, para não dizer assombroso. Fato esse que vou narrar, mas, por favor, que os mais impressionáveis, não leiam.
Contam que, dentre os fazendeiros da região, havia um rico e abastado apelidado de “João da Capa”. Recebeu esse apelido por usar uma capa preta que arrastava no chão, a qual só tirava mesmo pra dormir.
Sua esposa, mulher dedicada, adorava jóia. Incansavelmente exibia colares, tiaras, anéis de rubis, chaveiros etc. Mas tinha um anel, solitário, uma super pedra de diamante. Esse ela não tirava nem para dormir.
Um dia, acometida de uma pneumonia, Dona “Esmeralda”, esse era o seu nome, veio a falecer. Não, sem antes, fazer seu marido, João da Capa, prometer que seria enterrada com seu anel preferido.
O enterro foi pomposo, muitas flores, homenagens dignas até, de uma autoridade. A banda da prefeitura acompanhou o cortejo e todos pareciam compadecidos com o sofrimento do marido.
Logo mais à noite, João da Capa foi visto de canto em canto, com uma garrafa de aguardente na mão num sofrimento de dar dó.
Os dias se passavam e sem se conformar João da capa cada vez mais era visto bêbado, delirando. “Descanse em paz Esmeralda”, “Deixe-me em paz Esmeralda”. Ninguém sabia ao certo o motivo das frases alucinadas.
Os amigos decidiram investigar e começaram a seguir os passos de João da Capa. A fazenda antes próspera e bem cuidada, agora abandonada, pois o coitado nunca mais lá voltara, estava às escuras. Na porteira uma mulher de branco, véu no rosto, de longe parecia muito com Dona Esmeralda. Zé Vitor, Joaquim e Alfredo, os amigos que investigavam o caso, pararam a alguns metros da fazenda. Os olhos arregalados, coração batendo em disparada:
__ Céus! É dona Esmeralda!
Constataram, apavorados, o motivo do abandono da fazenda. O fantasma da mulher agarrado a porteira gemia e gritava:
__ Devolva meu anel! Quero-o de volta ou nunca mais te deixarei em paz!
Deram meia volta e não olharam para trás!
Aí tudo ficou esclarecido.
João da Capa, largado no banco da praça, com muito custo, respondia às indagações dos amigos.
Disse que achou um desperdício enterrar a mulher com uma jóia tão cara e que antes de fechar o caixão, fez a besteira, tirou o anel. Agora não tinha mais a coragem de levar o “dito cujo” ao cemitério.
Pediu que os amigos o acompanhassem, mas um a um, todos deram uma desculpa. Não queriam se arriscar a uma vingança da falecida.
Eis que, depois de muitos goles, João da Capa se decide:
__ Vou hoje, à meia noite, ao cemitério devolver o anel. Abro um pouquinho o túmulo, jogo para dentro e vou-me embora.
__ Não João! Disse Alfredo.
__ Não vá embora sem rezar para falecida, ela pode cobrar a reza depois.
E lá se foi João da Capa, o relógio da igreja começou a 1ª das 12 badaladas. O silêncio era mortal; só se ouvia o ranger do portão do cemitério e os passos de João, capa arrastando no chão, invadindo os túmulos à procura do de Dona Esmeralda.
Era muito escuro, depois de alguns túmulos errados, eis que avistou o que buscava. Ergueu a tampa, jogou o anel e preparava-se para ir embora quando lembrou do que disse Alfredo:
__ Não sem rezar antes!
Ajoelhou-se então e apoiando os braços no túmulo começou:
 “Ave Maria cheia de graça... Agora e na hora de nossa morte Amem!”.
Pronto, agora com dever cumprido vou embora!
Nisso, ajoelhado, fez menção de levantar, mas, “Deus”, sentiu que era puxado de volta ao chão!
__ Alguém está me puxando! Suava frio!
Novamente tentava erguer-se e era como se alguém o puxasse para baixo. __ “Esmeralda de Deus”, perdoe-me, deixe-me ir embora.
Ele sentia como se alguém o puxasse para dentro do túmulo!
Seu coração explodia, o suor escorria, as pernas bambas, não deu noutra, o coitado teve um enfarte fulminante e faleceu ali mesmo! Pobre João da Capa havia ficado tão nervoso, não percebeu que era a própria capa que enroscava em seus pés e quando se erguia era como se alguém o puxasse de volta ao chão.
Seu enterro foi lindo, cheio de flores, homenagens, etc. Só um fato ninguém sabe explicar.
João da Capa foi encontrado sem sua famosa capa e por isso enterrado sem ela.
Esse fato mudou os hábitos dos moradores de “Porteirinha”. Até hoje, ninguém mais se aproxima da fazenda, pois dizem que é mal assombrada. Assim que o sol se poe toda cidade já dorme. Dizem que têm medo de encontrar João por aí reclamando sua capa. E você, por acaso sabe de algo a respeito da Capa de João? Se estiver com ela, leve até o cemitério quando o relógio da praça soar 12 badaladas. Ah! Só não esqueça de rezar.

MP/Me Morte

 

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